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Instituto Schiller

Entrevista: Prof. Elias Jabbour

O Brasil Precisa de um Projeto Nacional que Impulsione sua Reindustrialização

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EIRNS
Prof. Elias Jabbour

A seguir, apresentamos uma transcrição editada da entrevista da EIR com o Prof. Elias Jabbour, realizada em 22 de julho de 2026.

Elias Jabbour é geógrafo, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pesquisador e escritor, reconhecido por seus estudos sobre o desenvolvimento econômico da China e pela formulação da teoria da Nova Economia do Projetamento. Foi presidente do Instituto Pereira Passos (IPP) entre 2024 e 2026 e atuou como consultor sênior da Presidência do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), em Xangai. Filiado ao PCdoB, também foi assessor econômico da Presidência da Câmara dos Deputados e é autor de obras de referência sobre economia política, socialismo e o modelo chinês de desenvolvimento. Atualmente, é candidato a deputado federal pelo PCdoB no Rio de Janeiro, defendendo um projeto nacional de desenvolvimento, a reindustrialização do Brasil, o fortalecimento do Estado como indutor do crescimento econômico, a soberania nacional e a ampliação dos investimentos em ciência, tecnologia e infraestrutura. Atualmente, é considerado um dos principais intelectuais brasileiros dedicados às relações entre Estado, planejamento e desenvolvimento econômico.

A entrevista foi conduzida no Brasil pelo correspondente Tim Rush. Os subtítulos foram adicionados.

Tim Rush: Bom dia, Sr. Elias Jabbour. É um grande prazer poder falar com você hoje. A EIR fica honrada com a possibilidade de explorar alguns temas com você.
Para começar, sabemos que você tem muita experiência em termos da relação entre o Brasil e a China. Nós vemos, mundo afora, um conflito, uma grande diferença entre dois sistemas. Primeiro, o sistema neoliberal transatlântico, que realmente fica em falência.
Tem como 2,4 quadrilhões de dívidas, maiormente derivadas, impagáveis. Então, ao nosso ponto de vista, as guerras que assolam o mundo não são causa de problemas econômicos, mas o colapso desse sistema provoca essas guerras. Então, como vê você o papel do Brasil?
Especialmente porque o Brasil pertence, obviamente, a um eixo no hemisfério ocidental, junto com os Estados Unidos, mas também com o BRICS, com a Iniciativa Cinturão e Rota, uma relação estreita com a China. Qual papel pode e deve jogar o Brasil nesse momento?

Prof. Elias Jabbour: Tradicionalmente, o Brasil pode ser visto, do ponto de vista político, como parte do Ocidente. Mas, na medida que o Brasil foi se afirmando enquanto um país soberano e independente, um país que se desenvolveu muito rapidamente, a partir da segunda metade do século passado, o Brasil foi se identificando cada vez mais como parte da periferia do capitalismo, do terceiro mundo, e hoje o Brasil se observa como parte do Sul Global. Dentro do Sul Global, ele é parte do BRICS.
Eu, particularmente, acredito que o papel do Brasil, num mundo novo que pode aparecer, é ser um dos polos de um chamado mundo multipolar. Ou seja, existe a Ásia com a China, existe a Ásia com a Índia, existe uma Europa e uma Ásia com a Rússia, entre as duas regiões. A própria Europa é um polo multipolar, existe hoje um bloco africano em consolidação, e, evidentemente, os Estados Unidos.
Então, o lugar do Brasil no mundo é ser um dos polos desse mundo multipolar que está surgindo no mundo hoje.

Rush: A relação com a China tem vários aspectos. Um aspecto que nós vemos muito importante é isso de construir uma ferrovia bioceânica, que tem no Pacífico, no Peru, o grande porto de Chancay, construído com a ajuda da China; e no Brasil, Ilhéus, ou o porto de Santos, não importa, mas poderia ser uma demonstração muito importante da integração continental da América Latina. E também pode haver corredores de desenvolvimento a cada lado, não somente para o escoamento dos produtos agrícolas, mas novas cidades, nova atividade econômica de vários modos.
Qual pensa você desse projeto? Tem ímpeto? Pode realizar-se?

Jabbour: Honestamente, eu acho muito difícil. Porque hoje, por exemplo, a burocracia brasileira que permite que uma ferrovia dessa fosse construída, uma rota dessa fosse construída, impede que essa obra fique pronta em menos de 20 anos.
Acho que esse é um ponto. O segundo ponto é que essa ferrovia, ou essas rotas bioceânicas, como um fim em si mesmo, ou seja, de consolidar a América do Sul como uma provedora de commodities para a China, não é um bom negócio para a América do Sul. Por quê?
Porque a América do Sul tem que se reindustrializar a partir do Brasil. O que seria muito mais interessante, sim, é ter as bioceânicas, não vejo nenhum problema nisso, mas também a construção, em parcerias com a China, soberanas, de forma que a região como toda e cada país em particular visse as potencialidades que a China poderia entregar para cada país, e a construção de infraestruturas que interligasse a América Latina por dentro, que unificasse o mercado interno da América Latina, ou seja, a partir de rodovias e ferrovias que interligassem mercados internos, e não consolidasse a América do Sul como um corredor de exportação de commodities para a China. Na minha opinião, não nos interessa isso. A mais que seja simpático à China, ou à dinâmica chinesa e tal, eu não acho que isso seja bom para os nossos interesses.

Rush: Você já, nos seus anos na China, com o novo Banco de Desenvolvimento do BRICS - existe grande debate dentro do BRICS em torno de como desligar-se do dólar em termos dos potenciais de sanções, como esse dos tarifaços, etc. Me lembro que o ano passado, precisamente quando o Trump decretou o primeiro tarifaço contra o Brasil, o Brasil firmou esse MOU, memorando de entendimento, com a China para estudos de engenharia para essa bioceânica. Possivelmente seria uma maneira de contornar a polarização do continente dado o novo governo conservador no Peru. Existe no Peru grande entusiasmo do povo sobre o porto de Chancay, é uma coisa de orgulho para todos os peruanos.        
Então, seria alguma coisa dessas que poderia, em vez do que quer o Marco Rubio, o Trump, etc., em termos de polarizar todo o continente, um governo conservador, como o da Keiko Fujimori, e um governo mais esquerdista, como o do Lula, poderia criar espaço para um flanco contra o projeto de correr os chineses e magnificar a polarização.

A China Não Será Expulsa da América Latina
Jabbour: É muito difícil, por exemplo, por mais que os Estados Unidos queiram, o Marco Rubio queira, o Trump queira, expulsar a China da América Latina, é uma tarefa impossível. Por quê? Primeiro, porque o único país do mundo com instituições, capacidade de financiamento, investimentos, para serem feitas aqui na América Latina, é a China.
Segundo, os Estados Unidos não têm nada para a América Latina. Os Estados Unidos não tem como enviar para cá cadeias produtivas, trazer para cá fábricas mais antigas de semicondutores, não tem como trazer para cá o know-how de tecnologia artificial porque o modelo de inteligência artificial dos Estados Unidos é um modelo que tenta manter o que eu chamo de uma escassez de tecnologia, ao contrário do sistema da China que é um sistema aberto. Os americanos não tem capacidade de colocar um trilhão de dólares em investimentos em infraestruturas, ou seja, a dependência da América Latina para com a China é um fato que não tem mais como voltar atrás disso aí.
A questão que eu coloco é se a América Latina vai saber aproveitar as tendências que a China entrega para a América Latina para o nosso desenvolvimento. E qual é a tendência que a China entrega? Duas tendências.
Uma que eu não acho a melhor, que é a de ser uma receptora de commodities que a América Latina produz. Mas a China também pode suportar a tendência de construir infraestruturas fora do seu território. E, no caso, a nova rota da seda é uma alternativa a mais.
Depende de como cada país vai se comportar com a China. Por exemplo, o Brasil, e o resto da América Latina, está se conformando com a situação de sermos meros provedores de matéria prima para a China. Na África, não.
Existem países africanos, como, por exemplo, o Zimbábue, que é um país que eu conheci quando estive no Banco do BRICS, que não quer ser um exportador de lítio e recursos naturais para a China. Ele quer obrigar os chinêses a agregar valor ao lítio no Zimbábue. Igual o Zimbábue, outros países têm a mesma percepção do papel da China.
Então, um caso que eu acho interessante nós observarmos, é a diferença de China e América Latina na percepção das relações com a China, que eu acho que é importante. A África está muito à frente da América Latina em termos de consciência e, por exemplo, da centralidade do desenvolvimento das suas capacidades produtivas em vez de ser mero exportador de commodities para a China.

Rush: Se não me equivoco, o chinêses vem com uma siderúrgica no Zimbábue, por exemplo. Então, em termos de como desligar-se do dólar atual, nosso ponto de vista é que não é um dólar norte-americano. É um dólar das elites financeiras de Londres, de Wall Street, realmente em contra dos próprios interesses dos Estados Unidos.
Mas, obviamente, é um dólar muito agressivo, um instrumento muito nefasto em termos de tentar impedir o desenvolvimento do Sul Global. Então, existem algumas propostas de criar uma moeda entre o BRICS. Nós não vemos bem a ideia de reemplaçar as moedas nacionais. Seria muito ruim. Não como um euro, porque isso vulnera muito a soberania nacional. Mas, algum mecanismo capaz de emitir crédito para grandes projetos, como na África, levar água do Rio Congo até o Lago Chade, a Trnasaqua, ou construir as grandes barragens Inga no Congo. E outros grandes projetos. Então, a questão é como seria, a nosso ponto de vista, um erro ligar essa nova moeda de investimento ao dólar. Convertir ao dólar, que permitiria entrar as especulações, e todo o sistema atual é tão a curto prazo, que não se pode lançar projetos de 5 anos, 10 anos, 20 anos de elaborar.
Então, a questão para você é, como vê o debate dentro do BRICS agora, em termos de construir tal mecanismo para canalizar o crédito para tais propósitos.

 

Fugindo do Sistema do Dólar
Jabbour: Eu acho que existe o que eu chamo de conceito se manifestar no momento real. O que significa isso? Não existe um checklist a priori do que deve ser feito para superar o dólar e inaugurar uma nova ordem monetária internacional. Não existe um checklist, não existe um caminho pronto para isso. O que está acontecendo são mecanismos que vão surgindo na medida em que o dólar vai se consolidando enquanto uma arma de destruição em massa. Então, por exemplo, no Banco do BRICS, nós elevamos o que trabalhava lá.

Por exemplo, a porcentagem dos empréstimos do banco em moedas locais para o financiamento de projetos, em moedas locais, hoje é 30% e os outros 70% é dólar. Então, a tendência do banco é tentar diminuir a dependência do dólar, mas é muito difícil porque o banco ainda está dentro do sistema dólar.

Rush: Ou seja os capitais do banco?

Jabbour: Sim. Então o banco hoje é um refém do sistema dólar. Mas o que está acontecendo? Existem sistemas locais de pagamento, como tem na Ásia hoje, entre a China e mais dez países da Ásia, em que já existe uma unidade de conta entre esses países e já fogem o dólar.
A China tem utilizado a sua própria moeda como financiadora de projetos, principalmente do Oriente Médio. Então, por exemplo, os petrodólares e a sua decadência por conta da Guerra do Irã, isso explica tanto a bolha da inteligência artificial nos EUA, tanto é que a Palantir está tendo que parar atividades no complexo industrial militar para poder se financiar. Então, a China já se coloca, enquanto um país, a substituir os EUA no Oriente Médio.
E a China tem a tendência também de começar a transacionar com o Sul Global para ganhar mais locais. Então, isso já está acontecendo. Isso significa uma desdolarização no curto prazo? Não. Isso significa uma desdolarização no médio prazo? Não. Mas significa no longo prazo? No longo prazo, sim. Até porque existe um fator já político colocado, que os EUA ainda são a potência militar. Isso é inegável. Não vai haver uma substituição do dólar por uma cesta de moedas na finança internacional sem uma grande guerra em que os EUA aceitem a condição de perder a hegemonia, de deixar de ser a dona da moeda de riqueza internacional. Inclusive, a única cláusula que o Trump coloca para o resto do mundo é a do dólar se manter enquanto uma moeda de riqueza internacional.
Essa é a única cláusula que o Trump coloca para o resto do mundo para uma decadência suave dos EUA. Mas o que eu acho, o que eu tenho visto é basicamente isso. Existe um caminho sendo trilhado, sem um checklist priorístico. Hoje o maior inimigo do dólar são os EUA.
Tanto é que o dólar tem se desvalorizado em relação ao ouro nos últimos anos, porque os EUA não é mais um país confiável.

Rush: E a questão das moedas flutuantes é problema imenso. Tem que fixar o valor para poder planificar.

Jabbour:  Exatamente.

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CC/Marcos Santos/USP Images
Faria Lima, o equivalente brasileiro de Wall Street.

Rush: Agora, o Putin, o presidente Putin, disse faz dois anos na reunião BRICS em Kazan, queria criar plataformas de investimento em grãos, e outras áreas, como forma de driblar o problema de criar um novo mecanismo só. Acho que os indianos ficaram um pouco não de acordo com uma nova moeda - não para reemplaçar as moedas nacionais, mas para canalizar recursos. Como vê você a possibilidade de mobilizar recursos suficientes dentro do Brasil, dado o problema de Faria Lima, e todos os outros problemas?
Nós temos Wall Street, vocês têm Faria Lima. Existe no BNDES ou outra forma de recursos financeiros capazes para realmente lançar um projeto como você pretende realizar, de uma reindustrialização?

O Brasil Precisa Se “Desfinanceirizar”
Jabbour: Eu acho que o problema é político, não é problema técnico. Porque a solução técnica de como entregar uma outra dinâmica de desenvolvimento, independente da Faria Lima, existe. Se a gente juntar dez professores de economia e desenvolvimentistas, heterodoxos, antiliberais, nós vamos ter uma receita pronta de como fazer esse país crescer e se desfinancializar.
A grande questão é nós nos desfinanceirizarmos. O Brasil é uma economia muito financeirizada. O Brasil. Então o desafio é político. Esse desafio se reflete, primeiro, ainda na reeleição de Lula esse ano. É fundamental que Lula seja reeleito, até porque o Brasil passa por uma ameaça que eu chamaria de neo-colonial e o Flávio Bolsonaro significa uma ameaça ao nosso projeto civilizatório.
Então a reeleição de Lula seria fundamental para que o Brasil continue a sonhar a existir enquanto projeto civilizatório. E ao lado disso, o que eu vejo? Eu vejo a possibilidade, a partir dessa reeleição de Lula, dessa quarta reeleição, da esquerda brasileira atingir um grau superior de consciência e começar a pensar esse país em termos de projetos nacionais a longo prazo, baseado numa maciça reindustrialização.
E aí o papel da Faria Lima vai se colocar em questão. O papel do algum negócio vai se colocar em questão. Então eu ainda condiciono, por esses movimentos que o senhor me coloca aqui, como possíveis, condiciono a vitória de Lula nas eleições de outubro.

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Manifesto do Prof. Elias Jabbour, “Projecto Nacional e Futuro Para o Brasil”.

Rush: Eu sei que você lançou um manifesto faz pouco. Pode resumir um pouquinho desse manifesto? Porque tem que ver, obviamente, com a sua candidatura, mas ao meu ponto de vista, abrange uma colaboração muito maior que um só partido, mas realmente reúnir forças suficientes para ir para frente.

Jabbour: O espírito é esse. O espírito é o manifesto de uma pré-candidatura de deputado federal que tem o objetivo de sacudir o debate público brasileiro em torno de grandes questões, sendo que a principal delas é que esse país precisa se reorganizar enquanto projeto nacional, e mais do que isso, se reorganizar enquanto projeto nacional que lute pela sua reindustrialização.
A China hoje vai investir um trilhão de dólares até 2030 em inteligência artificial. O Brasil vai investir esse ano 28 bilhões de reais, 5 bilhões de dólares, ou seja, a diferença entre o Brasil e os países que estão na disputa da quarta revolução industrial é muito grande, e tem de aumentar. Ao lado disso, o Brasil perdeu dezenas de milhões de empregos industriais em 40 anos, o que levou o nosso país a um rompimento do nosso tecido social. Então nós identificamos, e o manifesto é a síntese disso, que somente a reindustrialização do Brasil é capaz de devolver o nosso lugar diante do mundo e diante de nós mesmos.

Hoje o Brasil só gera emprego de um salário mínimo e um salário mínimo e meio. 90% dos empregos gerados. Enquanto que hoje o Brasil, para as pessoas terem esperança de futuro, temos que gerar empregos de 3 a 4 salários mínimos, de forma que elas têm esperança de nascer e ter mobilidade social.

O Fascismo Se Alimenta da Falta de Esperança
Existe essa esperança no Brasil. E o fascismo no Brasil, assim como o Trump nos EUA, se alimenta da falta de esperança. E a esperança só vai existir com mobilidade social. E a ciência econômica diz que mobilidade social só é possível com a industrialização. Tem um projeto avançado de industrialização em várias áreas. Defesa, complexo industrial de saúde, petroquímica, biodiversidade. O Brasil tem o potencial gigantesco para reocupar o posto de 5ª, 6ª ou 7ª economia industrial do planeta. Agora, isso depende muito da nossa capacidade política do Brasil se unificar em torno desse objetivo. Ainda é muito pequena hoje, mas pode ser maior amanhã, a depender das demandas internacionais.

Ou seja, o Brasil é um alvo dos EUA hoje. E isso tem levado o presidente Lula, por exemplo, a pensar em termos de complexo industrial de defesa. Então eu tenho esperança disso aí. E o manifesto é um instrumento político da pré-candidatura para se comunicar com o país. A esquerda brasileira não trabalha só pequenas pautas. Sim, grandes pautas. Exatamente.

Rush: Isso do otimismo é fundamental. Nós padecemos nos EUA um pessimismo tremendo por 50 anos de desindustrialização; vocês, de 10 anos para cá, também.

 

Jabbour: Não, aqui no Brasil, 40 anos.

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National Museum of the U.S. Navy
O presidente estadunidense Franklin D. Roosevelt brinca com o presidente Getúlio Vargas, do Brasil, enquanto os dois chefes de Estado iniciam uma visita às Forças Armadas — Exército, Marinha e Força Aérea — das duas repúblicas americanas, em janeiro de 1943.

Rush: 40 anos?  Ah, sim. Do neoliberalismo do Fernando Henrique Cardoso....

Então, a relação entre Roosevelt e Vargas, nós vemos muito importante como ponto de referência para os dois países retomar as políticas que anteriormente tínhamos, mas temos que renovar simultaneamente e podemos assim tecer novas relações positivas e produtivas, digamos. Qualquer coisa que você queira fechar agora, algumas palavras para encerrar, se você tiver.

Jabbour: Eu acho que você falou do Franklin Delano Roosevelt, que eu acho que foi um dos grandes estadistas do século XX. E por alguns motivos. Primeiro, o mais conhecido que é o New Deal, que foi o pontapé inicial do conceito keynesiano no mundo. Ele ouviu muito Keynes, inclusive. Conversava muito com John Maynard Keynes, o Roosevelt. Mas hoje, quando eu penso no Roosevelt, não penso somente no New Deal ou no homem que, juntamente com Stalin, por exemplo, Churchill, derrotaram o nazismo.
Aliás, Stalin tinha as melhores opiniões do mundo sobre Roosevelt. Os dois eram amigos e gostavam muito de Roosevelt. Eu acho que o Roosevelt, no começo do governo dele, enfrentou e venceu um golpe nazista dentro dos Estados Unidos.

Rush: Sim, em 1935.

Jabbour: Então, eu acho que isso tem que ser uma inspiração para o Brasil. Porque se os Estados Unidos conseguiram vencer uma tentativa de um golpe nazista nos anos 1930, o Brasil pode também tentar vencer cotidianamente a tentativa de transformar o fascismo no Brasil em político-estado.
Então, eu acredito que os democratas, os patriotas, os humanistas em geral devem ter como grande referência de Roosevelt o herói da Segunda Guerra Mundial, o herói que tirou os Estados Unidos da crise de 1929, mas principalmente o homem que enfrentou e venceu um golpe nazista em 1935. Eu acho que Roosevelt é uma das maiores figuras de todos os tempos, sem dúvida.

Rush: Quero agradecer muito essa possibilidade de conversar com você. Um grande prazer.


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Para informação adicional, enviar email a preguntas@larouchepub.com

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